Emo, que no inicio era apenas um movimento musical. Mas musical como? De onde saiu? Afinal, como diria o Beakmann, "(...)tudo vai para algum lugar."
Antes de surgir o emo core, existia o hard core melódico. Esse estilo saia um pouco da linha do grind, krust, e death core que predominava em expressividade na cena underground da década de 90 (ainda hoje esses estilos predominam em quantidade de bandas representantes). As principais mudanças foram a redução da velocidade das música, menor uso de distorções nas guitarras e, principalmente, o vocal mais nítido e "trabalhado"*. A dicção foi o principal alvo das mudanças dos vocalistas dessa nova vertente do rock pesada, afinal, se agora não iriam mais aplicar o vocal gutural e gritado, cantado na velocidade da bateria, teria que ser bem dito, ou ao menos bem compreendido.
Feitas as mudanças de estrutura era hora de começar a repensar o conteúdo.
Foi então que os jovens músicos começaram a variar a temática das letras. Não que falar da situação socio-politica atual não fosse mais viável (ainda é, diga-se de passagem, vide por exemplo a banda capixaba Dead Fish: http://www.youtube.com/watch?v=oQBsYLACXvo [clipe não oficial]), mas não era mais o foco dessa nova geração. Por que temos que ouvir musicas que não gostamos para ouvir de coisas que acontecem com qualquer um? Era o mote do momento.
Foi então que o Hard Core passou a amar, a sofrer de coisas mais efêmeras, a se preocupar com o dia a dia que o cerca, enfim, com a vida que corre a passos cada vez mais largos diante dos olhos de quem resolveu parar para reparar. Achar que isso nunca foi dito no meio musical o qual estamos tratando é ser muito simplista, mesmo assim, não era tratado com a mesma coragem e clareza que outros assuntos.
Dai para os problemas emocionais foi apenas um pequeno pulo.
Falar de amor, de sentimentos, de desilusões, de traição, sempre foi uma sina da humanidade. Não acho necessário citar aqui alguns exemplos dentre as milhares de obras da literatura, do cinema e, principalmente, da música mundiais que trataram desses assuntos. Mas falar sobre isso num meio agressivo era um desafio muito maior do que se esperava.
Com o tempo formou-se uma identidade em torno desses métodos de se fazer musica, criando praticamente um método para a criação desse novo estilo musical.
Apesar de ter surgido de um estilo que se afastava dos convencionais, muito se manteve como forma de influência: trechos da musica gritados, quase total ausência de solos de guitarra, melodia musical feita em prol da letra, até mesmo as quedas de velocidade, típicas do new metal.
Hoje em dia o emo se vê evoluindo para outros campos da musica, como o metal, o hip hop (em especial o norte americano) e, como tudo que demonstra alguma exposição na midia, o pop.
Dizer que o futuro do emo core é se tornar a mais nova onda pop no Brasil é algo complicado, primeiro porque isso se verifica muito explicitamente nos EUA, o que ainda não diz muita coisa por terras tupiniquins, segundo que o futuro a Deus pertence, mas lembre-se: "O Papa é Pop!"
*Esse é um conceito que passei a relativizar em muito após começar minhas aventuras com a banda que formei com meu primo eu meu amigo, além dos contatos que tive com metaleiros mais radicais. Futuramente pretendo problematizar esse conceito.
Um comentário:
Élcio, obrigada, venho me pegando há tempos pensando em como, parece que do dia pra noite, os emos se multiplicaram exponencialmente! (sem juízo de valor nisso)
Seu texto tornou a compreensão do gênero mais clara pra mim..
Beijão!
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