A aproximadamente 4 meses de finalmente finalizar a maratona que foi estudar e me formar Midiálogo, pegar o canudo e tocar a vida com projetos individuais (que incluem trabalho, vida e um possível mestrado) recordo-me de um dia há 4 anos. Retorno, na verdade, 4 anos mais na linha do tempo. Quando tive todas as certezas e todas as surpresas que podem ser reservadas para um humilde filho de encanador e uma dona de casa que ensinaram muito para a criatura que vos fala.
Um periodo que posso dizer, foi de muitas certezas e muitas realizações. Não necessariamente complementares. Explico a seguir.
Tive a primeira certeza 4 anos antes do tempo que falei anteriormente, quando na sétima série do ensino fundamental da Escola Estadual Professora Lourdes Maria de Camargo (vulgo Grupão, que na minha época era a ultima chance de todos os alunos que foram expulsos das outras escolas por qualquer motivo que fosse) eu tive a certeza de que iria fazer faculdade. E no ano seguinte soube que seria pública, custasse o que custasse. E custou. 4 anos depois da primeira certeza, tive a certeza de que não conseguiria sozinho.
E veio o cursinho. E veio a aposentadoria do meu pai. E veio o aperto. E vieram forças não sei da onde para dizer "ok, vamos continuar" quando eu não passei na primeira vez.
Veio a primeira paixão (não correspondida, viria a se tornar a regra e não a excessão na minha vida. Como foi na vida de metade da humanidade nessa idade). Vieram os primeiros amigos de verdade, vieram as frustrações. Vieram as festas. Veio mais uma certeza: nunca faria parte daquilo, seria o chatão da turma, seja lá qual fosse o meu fim.
E foram 3 anos assim. Estudando, fazendo de tudo para garantir um lugarzinho ao sol dos abençoados pelo conhecimento especializado e superior. Durante esse periodo, outras certezas apareceram: certeza que iria morar sozinho; certeza que iria para a Metrópole; certeza que estaria na USP; certeza que faria Audiovisual. Depois vieram outras certezas que mudaram um pouco as anteriores: certeza que faria cinema; certeza que seria diretor ao sair do curso; e a melhor de todas: certeza que nunca faria Unicamp.
"Pow", pensava eu, "nunca que vou passar numa prova que exige matemática e física na segunda fase. Sou um cara de humanas irremediável.
Então, o segundo ano de cursinho! Menos uma preocupação: era bolsista agora. E o curso de Midialogia começaria no ano seguinte. Uma professora de redação (será que a Elza ainda dá aula pros 'boyzinhu' do Anglo entre as disciplinas de ética no ITA?) sabia de minha vocação para a comunicação (apenas cinema, na época) e disse a famosa frase "mas por que você não tenta?"
"Ok, é mais uma opção. Mas nunca que eu vou conseguir passar!"
Vieram as provas, vieram os resultados, vieram as segundas fases, vieram os novos resultados. E então vieram os três nãos e um talvez. O talvez foi de quem?! Ora, mas vejam só!
Foi então que eu tive uma das ultimas certezas dessa fase: Unicamp é uma opção.
Não consegui entrar. A lista parou na minha vez ("Maldito Diego! Se você fosse um filho da puta seria muito fácil querer a sua morte no ano seguinte!"). Mas tudo bem, tive ali a certeza que as exatas não me odiavam mais que eu as odiava. Ali tive a certeza (ó, outra!?) de que cursos como engenharia de *whatever* eram também opções. Mas eu sou de comunicação (ainda comunicação para mim era o cinema), então vou por onde acredito ser meu lugar.
Foi mais um ano de cursinho. Desta vez fui bolsista 100% do cursinho Iguatemy, não muito conhecido na cidade. Mas tinha certeza que ia fazer cursinho aquele ano e que ia tentar de novo.
Eis que o cursinho faliu, bem no meio do semestre. E eu trabalhava nele para manter o material, que não era incluso na bolsa.
"Ok, o que acontece agora", pensava. Um outro cursinho acolheu os desesperados alunos desamparados do Iguatemy. Toca todo mundo ir para o COC. E veio o trabalho no depósito da familia. E vieram os clientes chatos, as velhas gordas, os calotes, as brigas com clientes caloteiros, os furtos (posteriormente viraram assaltos). E eu tinha certeza que ia morrer de estresse.
Pronto. Fim de ano. Provas. Agora nada de Rio de Janeiro, só faculdades de São Paulo.
Veio a Ufscar. Foi! HIIIIIIHAAAA!
Veio a Unesp. Foi! HIIIIIIHAAAA!
Veio a Unicamp. FOI! CARALHO! HIIIIIIHAAAA!
Veio a Usp.
...
Bom, pelo menos eu iria fazer faculdade
E eu tinha certeza que no fim do ano prestaria Usp de novo e... Ok, vamos para São Carlos. Imagem e Som é tudo o que eu queria! Dava para trabalhar com cinema lá. Certeza.
Ultima semana antes da matrícula da Unicamp.
Mas o curso de Midialogia parece ser tão bom. E é a Unicamp. E é comunicação. E está começando. E está cheio de problemas, com certeza. E eu sempre adorei o desafio de construir algo em conjunto!
Sexta feira, ultimo dia. Mando ou não a carta desistindo de São Carlos?
...
"Everton [irmão], você sabe chegar em Campinas?"
E começa o curso. Novo mundo, nova vida.
Pensionato com 20 pessoas (fora as 20 meninas no prédio dos fundos). Tive que colocar o inglês e o portuñol para funcionar algumas vezes, porque estrangeiro era o que mais tinha naquele lugar. E ainda tem.
Foi avançando o ano, evoluindo nos trabalhos, amadurecendo nos estudos, conhecendo gente nova. E o gosto pela Unicamp bateu. E por lá tive a certeza que ficaria. Fiquei.
Primeiro ano. Perrengues à granel. Amores, desamores, brigas, desafetos, noites em claro, problemas em casa, cobranças de todos os lados, menos um tio na familia, menos um vizinho, festas... tanta coisa, que envolve tantos sentimentos e tantas pessoas que explicar e exemplificar é impossível, além de não-ético e não-bom. Mas para ilustrar, tive a certeza que não aguentaria.
Mais três anos. Amigos vieram, foram. Corações partiram, corações se uniram e se separaram e se uniram e se separaram e se uniram e se... enfim. Vidas foram jogadas fora, familias se formaram, familias se desfizeram. Repúblicas formaram-se. Tantas lágrimas foram derramadas ao som de guitarras e atabaques, ao cheiro de mato e ao gosto de álcool, tabaco e felicidade/decepções. Atos públicos, Midiatos. Chamamos os movimentos e as convenções pré-estabelecidas "pra xincha", ganhamos uns, perdemos outros. Toca levar a vida.
Tive certeza que faria cinema. Certeza que produziria, dirigiria ou iluminaria. Certeza que nunca faria o projeto de multimidia.
E vieram os projetos: TV primeiro. TV digital. Mini documentários para web tb com suporte textual. Próximo do que o Youtube permite fazer agora com as suas tags em video, só que antes dele fazer isso. Como provar? Não posso. Nunca acabou. A greve acabou com ele (e eu também ajudei, admito).
Então fotografia depois. Documental, mas com um veio artistico. O 10 mais merecidos que tive.
Projeto de áudio. Vou fazer um... documentário, com apresentações musicais. Ótimo. Equipe mais que reduzida. Produzi, dirigi, pesquisei, filmei. Matei. Outro 10. Missão cumprida. Missão comprida (*ufa*).
Agora falta o de cinema. Mas eu nunca dirigi. Tudo que eu fiz foi relacionado a som e a games. Games? Sim! um estágio no meu primeiro sonho de infância. Meu Deus. Bica projeto de cinema e toca fazer de multimidia. Complementar é viver.
E é isso que está saindo. Discussões, discordâncias, debates. Descanço.
Em julho o IA vai olhar para mim pela última vez e me chamar de aluno. Nesse dia ele me entregará um papel que diz "Missão Cumprida! Adeus, dê licença pois o futuro vem vindo pelo menos corredor que vocês está saindo"
E todas as certezas eu tive. Não me arrependo de nenhuma, mesmo das que não se cumpriram (a grande maioria).
Talvez por isso tenho medo de novas certezas, como a certeza de que farei mestrado, de que quero continuar trabalhando com o que estou atualmente, de que quero começar e terminar projetos pessoais. Tenho medo de certezas como essas porque não sei ao certo se aconteceram ou não.
A única certeza que tenho é que em julho, um dia pelo menos, meus olhos ficarão vermelhos.
E ouvirei "Mr. Brightside", e quem estiver comigo ficará também com eles vermelhos. De novo.
Agora acabou o quarto ano. Novos calouros entram. Um rapaz com cara de menino me diz: "hey, você é o Élcio, não? eu sou veterano da Midialogia!" Lógico que minha primeira pergunta é como assim? "Ah, é que eu sou 08. Você não conhece bem nossa turma, né?" E a realidade veio. Acabou meu tempo. É hora de ir embora. O sonho universitário já era, já disse um amigão meu. Não concordo porque se era pra ter esse sonho, me acordaram no meio. Mas entendo. O que mais fiz foi entender, e também não.
Agora é a vez deles. E eu sou o passado. Eu que vou ser alvo da frase que mais ouvi minha turma proferir: mas o que ESSE CARA tá fazendo aqui ainda?!
Finalmente vieram mais algumas certezas: de que fiz uma boa
2 comentários:
Estou com os olhos cheios de lágrimas... Acho que qualquer midiálogo ao ler esse texto ficaria... Incrível o quanto esses anos deixam marcas tão profundas na gente, não? E que foram um pedacinho tão importante da vida pra ajudar a nos construir não apenas como profissionais, mas também como pessoas.
Muito bonita sua história, e com certeza posso falar que todo esse esforço seu e de sua família valeu apena, agora os próximos tijolinhos dirão como você irá usar tudo isso pra seguir seu sonho... :~)
Pode deixar que logo logo eu volto a escrever, mas mesmo enquanto isso vou ficar te acompanhando por aqui!
Grande beijo.
pronto, de volta!
até que dessa vez foram rápidas minhas férias virtuais! rs... já podemos voltar a trocar figurinhas blogueiras, dê uma passadinha lá depois!
um beijo!
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